Hiroshi Hirata é uma das principais figuras do mangá gekigá, uma abordagem narrativa mais realista e direcionada ao público adulto. Ele é famoso por suas narrativas situadas no Japão feudal, destacando fortemente a cultura samurai e seus paradoxos. O Novo Preço da Desonra é uma sequência de O Preço da Desonra, mas pode ser apreciado de maneira autônoma.
A narrativa acompanha Hanshiro, um negociador de títulos que se move entre samurais e comerciantes, revelando a face obscura da sociedade feudal japonesa. Ao contrário da concepção ideal do bushidô, Hirata apresenta um Japão onde o temor da morte e a corrupção são aspectos fundamentais.
A questão central discutida é a falsidade da honra samurai: os guerreiros, que deveriam viver com bravura e fidelidade, muitas vezes sucumbir ao desespero, à cobiça e à fraude. Hanshiro é uma figura ambígua, que não se ajusta às normas sociais estabelecidas, tornando-se um crítico atento do sistema.
O desenho de Hirata é minucioso e expressivo, utilizando frequentemente hachuras e montagens dramáticas. Os seus personagens têm expressões marcantes, quase grosseiras, o que intensifica a carga emocional do enredo. A diagramação é suave, alternando entre momentos de contemplação e explosões violentas. A obra se destaca pela linguagem formal e pela fidelidade ao japonês arcaico.
Hirata é comparável a escritores como Kazuo Koike e Goseki Kojima, porém sua perspectiva é ainda mais dura e pessimista. Ele também se relaciona com o cinema samurai realizado por Akira Kurosawa e Masaki Kobayashi, particularmente em Harakiri (1962), que questiona a severidade do código de honra samurai.
O Novo Preço da Desonra é uma leitura indispensável para aqueles que apreciam narrativas realistas e críticas de samurais. Ao contrário das histórias exaltando o Japão feudal, Hirata oferece uma perspectiva ácida e incisiva sobre a falsidade do sistema. Se você aprecia mangás de temática histórica e filosófica, esta obra certamente merece um espaço em sua coleção.
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