Sunny (Volume 1) - Taiyo Matsumoto.

Sunny é um mangá escrito e ilustrado por Taiyo Matsumoto, publicado de 2010 a 2015 na revista Monthly Ikki e posteriormente reunido em seis edições. A obra é quase autobiográfico e segue a vida de crianças que residem em um orfanato conhecido como Hoshinoko (Estrela da Criança).

Resenha:

Taiyo Matsumoto nos convida a explorar o universo de Hoshinoko, um orfanato onde crianças aguardam por algo que pode nunca chegar: a volta de seus pais. No entanto, enquanto esse dia não chega, elas se refugiam no antigo Nissan Sunny, um veículo abandonado que se transforma em um local encantado, um local onde podem sonhar, escapar da realidade e, por um instante, experimentar a liberdade.

Dentre os personagens apresentados nos primeiros doze capítulos, Haruo se sobressai desde o começo. Com um caráter rebelde, ele utiliza a agressividade como uma forma de ocultar sua tristeza. Ele acaba de chegar ao orfanato e logo percebe que, assim como ele, todos ali carregam pesadas ausências. Sei, mais reflexivo e depressivo, busca refúgio no silêncio e nos sonhos que tece dentro do seu carro Sunny. Por outro lado, Kiiko mantém acesa a esperança de que sua mãe retornará para buscá-la, enquanto Junsuke, o mais novo integrante do grupo, busca compreender o mundo à sua volta, criando narrativas para preencher sua solidão.

Matsumoto nos apresenta essas crianças por meio de instantes do dia a dia que, apesar de aparentemente simples, contêm uma profunda intensidade emocional. Em um capítulo, observamos a redação de cartas que nunca são respondidas; em outro, um aniversário que deveria ser festivo, acaba se transformando em um lembrete amargurado da falta dos pais. Pequenas ações e conversas mostram mais do que aparentam: um olhar desiludido, um jogo no Sunny, um aperto silencioso nas mãos.

O que mais chama a atenção na obra é a forma como Matsumoto expressa a perspectiva infantil do mundo. Sunny não retrata as crianças de forma idealizada ou inocente, mas também não as trata como miniaturas de adultos. Elas transitam entre a pureza e a aridez da existência com uma naturalidade amarga, buscando beleza onde a encontram. O orfanato não é um local de angústia explícita, mas sim um espaço de espera, onde cada criança enfrenta a falta de forma singular.

Durante os capítulos, observamos que a adoção nem sempre conduz a um final feliz. Ao deixar o orfanato para viver com uma nova família, os que ficaram se questionam: é realmente um adeus ou apenas um até breve? Existe uma combinação de inveja e temor na despedida, já que o que para alguns pode representar uma resolução, para outros pode representar apenas o início de uma nova incerteza.

Sunny nos envolve com seu traço sujo e expressivo, característico do estilo de Matsumoto, e sua narrativa fragmentada, quase poética. Nos recorda que, mesmo diante de um cenário desolador, ainda existem oportunidades para sonhos, amizades e para aquele breve instante de liberdade dentro de um veículo antigo estacionado no estacionamento.

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