Sunny (Volume 2) - Taiyo Matsumoto.

 Aqui no volume 2 Taiyo Matsumoto prossegue com sua delicada e fragmentada narrativa acerca das crianças do orfanato Hoshinoko. A obra mantém sua estrutura de vinhetas, exibindo instantes do dia a dia e introspectivos que expõem os sentimentos intensos dos personagens. Se nos capítulos iniciais presenciávamos mais a exploração desse universo e as tensões iniciais entre os pequenos, agora começamos a notar alterações discretas, pequenos amadurecimentos e novas camadas de solidão e esperança.

Haruo, ainda vestindo a armadura da rebeldia, começa a demonstrar indícios de que, por trás de sua agressividade, existe uma necessidade urgente de carinho. Em um dos capítulos mais emblemáticos, ele se esforça para ocultar seu receio do futuro e a dúvida sobre o que lhe espera quando se tornar adulto. A sua personalidade oculta uma dor que ele próprio desconhece como manifestar.

Sei, sempre reflexivo, persiste em se esconder em suas fantasias dentro do carro Sunny. Contudo, agora ocorre uma alteração sutil: ele começa a entender que não pode permanecer escondido indefinidamente. Ele começa a se abrir, mesmo que de maneira relutante, para o mundo ao seu redor através de pequenos gestos.

Por outro lado, Kiiko continua apegada à esperança de que sua mãe retornará para buscá-la. O seu momento mais difícil é quando, ao presenciar outra criança sendo levada por novos pais, ela reafirma para si mesma que um dia também alcançará um final feliz. No entanto, à medida que os dias avançam, a incerteza aumenta: será que esse dia realmente chegará?

Assim como Megumu e Junsuke, outros personagens também possuem seus momentos de destaque. Megumu, constantemente tentando aparentar força, expõe sua fragilidade em um episódio onde precisa enfrentar a rejeição. Junsuke, o mais novo, começa a questionar porquê os adultos costumam determinar o futuro das crianças sem levar em conta suas opiniões. A sua visão inocente do mundo esconde uma sabedoria precoce, a típica visão de criança que percebe verdades que os adultos tentam ocultar.

Este segundo volume também discute a interação das crianças com os adultos que as assistem. Um professor visitante tenta se aproximar, mas percebe que nunca conseguirá compreender totalmente a angústia desses jovens e moças. A diretora do orfanato, sempre rigorosa, demonstra uma ternura incomum ao consolar uma criança que chora silenciosamente. Esses pormenores enriquecem o universo de Sunny, onde ninguém é totalmente bom ou mau, mas sim indivíduos buscando um rumo em meio às incertezas.

O tema da despedida retorna à pauta quando mais uma criança deixa o orfanato. Isso tem um efeito notável nos que permanecem: alguns sentem inveja, outros se alegram, mas a maioria apenas observa, sem ter certeza se a adoção é realmente um final feliz. Cada um deles é atormentado pelo temor de ser esquecido, já que o que mais fere não é estar no orfanato, mas a chance de que ninguém mais se lembre deles lá fora.

Com sua arte expressiva e seu texto tocante, Matsumoto persiste na construção de uma imagem tocante da infância, marcada pela falta e pela esperança. O Sunny mantém-se como um abrigo, mas também representa um sonho que, progressivamente, começa a se deparar com a realidade. À medida que as crianças se desenvolvem, surge a dúvida: será que o mundo além do Hoshinoko realmente será mais agradável?

Estes capítulos intensificam a atmosfera melancólica e poética de Sunny, na qual a dor e a beleza coexistem. O tempo avança, as crianças se transformam, mas a sensação de aguardar persiste. Qual será o futuro que as espera?

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