O volume inicial de A Bruxa Noturna nos conduz a um universo delicado, onde a fantasia e a realidade se fundem com um encanto sutil.
A personagem principal, Maya, se identifica como uma bruxa, mas não a tradicional, mas uma personagem moderna que vive de acordo com seu próprio estilo, fora dos padrões convencionais. O seu estilo de vida extravagante e suas convicções místicas contrastam com a racionalidade de sua amiga Mameyama, uma moça comum que, mesmo descrente, se vê cada vez mais imersa nos rituais noturnos que ambos praticam.
A maior parte da história ocorre durante as madrugadas, período em que o mundo para e as conversas entre as duas se intensificam. Nos intervalos, a obra se destaca: os diálogos contêm reflexões simples, porém tocantes, sobre solidão, identidade, fuga e a procura por um lugar ao sol. A narrativa é dominada pela estética "slice of life", que não se concentra em grandes acontecimentos, mas sim na beleza das pequenas vivências.
Shin Hotani possui um traço limpo e expressivo, que contribui para o clima tranquilo da história. A arte está em sintonia com a proposta intimista, criando um ambiente visual acolhedor, quase como se o leitor estivesse dividindo o quarto com as personagens, escutando suas conversas íntimas durante a noite.
O primeiro volume de A Bruxa Noturna, mais do que uma narrativa sobre uma jovem que se autoproclama bruxa, é um chamado ao silêncio, ao carinho e à amizade. Trata-se de uma leitura que acolhe e instiga a reflexão - uma espécie de encanto sutil que perdura após a última página. Perfeito para quem procura uma leitura serena, delicada e com toques de fantasia urbana.
Texto leve, traço detalhista e história envolvente. É sempre bom dividir o quarto com os personagens. Obrigada por compartilhar suas percepções. Agora é esperar os demais volumes. 👏👏👏👏👏
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