Alma (Volume 1) - Shinji Mito.

Shinji Mito nos conduz a um mundo destruído, onde os vestígios da civilização humana estão escondidos sob as ruínas do tempo e da guerra. Desde o começo, somos imersos em um cenário árido, com um silêncio denso pairando sobre as ruínas, apenas interrompido pelo movimento de Ray e Rice, dois personagens que atravessam este deserto de concreto em busca de sobreviventes. O contraste entre o vazio do cenário e a esperança silenciosa dos personagens principais estabelece um tom melancólico que se estende por toda a história.

Ray é um jovem idealista, impulsionado pela esperança de ainda existir vida humana naquele planeta devastado. Rice, sua companheira de viagem, parece ser uma jovem tranquila e resoluta. Lambda, um pequeno robô em forma de hamster que os acompanha, atua como um alívio cômico e, de forma paradoxal, é o mais lúcido dos três. A interação do trio proporciona instantes de ternura e humor delicado, atenuando o fardo do cenário e da missão que os impulsiona.

A história progride em um ritmo moderado, com o suspense aumentando progressivamente até o momento decisivo: a aparição de um androide hostil. O embate expõe uma realidade perturbadora - Rice não é um ser humano, mas uma máquina com aparência humana, desenvolvida para coexistir com Ray. A descoberta não é abordada com alarde, mas com melancolia e uma intensa crise de identidade. Ray, que acreditava estar em companhia de uma pessoa autêntica, vê sua esperança se desintegrar ao perceber que sua amiga não passava de uma mera representação de humanidade.

Neste instante, Alma mostra sua verdadeira força: não se trata meramente de uma narrativa de ação ou ficção científica, mas de uma ponderação acerca do que significa ser humano em um mundo onde a humanidade foi esquecida. A angústia de Ray não se limita à perda de Rice, mas também à constatação de que está sozinho — e talvez sempre tenha sido assim.

O desenho de Mito é expressivo e minucioso, intensificando o ambiente do enredo. Os cenários de ruínas são encantadoramente sombrios, e os personagens são representados com delicadeza emocional, particularmente nos olhos — que transmitem mais do que muitas palavras. A arte interage com a história, intensificando a sensação de melancolia e solidão.

Ray prossegue com sua viagem, agora mais quieto, mais debilitado — mas ainda avançando. A promessa de um retorno ao passado ou de uma nova descoberta no futuro surge na última página, deixando o leitor com a questão que norteia toda a série: onde reside a alma, quando tudo parece ter perdido o sentido?

O volume inicial de Alma é uma introdução robusta, emotiva e impactante a uma narrativa que, mais do que oferecer respostas, instiga questionamentos — acerca da humanidade, das máquinas e da esperança no fim dos tempos.

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