Este terceiro volume marca um ponto de virada na jornada de Sidarta Gautama e dos personagens que orbitam sua existência, introduzindo tensões dramáticas que ampliam a complexidade ética e espiritual da narrativa de Osamu Tezuka.
Volume 3 de 8
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Este volume se concentra no desenvolvimento de Devadatta, primo de Sidarta e futuro adversário espiritual, além de explorar a jornada de Sidarta em sua busca pelo significado do sofrimento humano.
Devadatta se apresenta como um personagem ambíguo: a princípio frágil e aflito, desde cedo manifesta traços de ressentimento, ambição e anseio por poder. Tezuka aborda aqui um tópico comum: o veneno do egoísmo entre os que procuram a via espiritual.
Ao mesmo tempo, Tatta e Migaila, personagens inventados por Tezuka, adquirem maior destaque dramático. Tatta esforça-se para deixar sua natureza violenta de lado, mas é incessantemente confrontado pela sua condição social precária — uma crítica acirrada ao sistema de castas da Índia antiga. Por outro lado, Migaila simboliza a inocência e a fragilidade dos oprimidos, que sofrem com exploração e violência, mas também é um emblema de compaixão e redenção.
Sidarta prossegue em sua jornada pessoal e filosófica, confrontado com a pobreza, a injustiça e a fugacidade da existência, o que o motiva cada vez mais a deixar o mundo material em busca da iluminação.
Temas Principais
. Ambição e inveja: Devadatta encarna a corrupção da alma mesmo entre os que buscam a iluminação.
. Sistema de castas e desigualdade social: Tatta e Chapra, ainda que em menor foco neste volume, reforçam a brutalidade dessa estrutura.
. Natureza do sofrimento: O encontro de Sidarta com a dor humana é o gatilho para sua futura transformação em Buda.
. Contraste entre aparência e essência: Personagens virtuosos vivem na miséria; os nobres, no conforto vazio.
Arte
Tezuka mantém o balanceamento entre o humor visual e o drama humano. Existem momentos de humor, representados por expressões caricatas de personagens secundários, que se opõem a cenas de dor intensa e brutal — um recurso que intensifica o efeito das mensagens morais e filosóficas.
As cenas de natureza e meditação sobressaem-se, concebidas com um lirismo visual que prenuncia o estado de iluminação que Sidarta almeja.
Conclusão
O Volume 3 de Buda é, acima de tudo, uma preparação para o embate ético e ideológico entre Sidarta e Devadatta, um dos antagonistas mais humanos e trágicos da obra. Tezuka mantém seu compromisso de explorar o lado sombrio da alma humana, enquanto mostra que a iluminação não é fruto de pureza inata, mas de dor, dúvida e renúncia.
É uma leitura rica, que exige reflexão sobre poder, ambição, desigualdade e compaixão — temas que ressoam para além da cultura indiana antiga.
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