. Título original: プラチナエンド (Purachina Endo)
. Roteiro: Tsugumi Ohba (大場 つぐみ)
. Arte: Takeshi Obata (小畑 健)
. Gênero: Ação, Psicológico, Sobrenatural, Drama
. Editora original (Japão): Shueisha
. Editora brasileira: JBC
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O peso dos dons e da liberdade
Platinum End, escrito por Tsugumi Ohba e Takeshi Obata, inicia a história com uma imersão obscura na desolação. Conheça Mirai Kakehashi, um jovem que, depois de anos sofrendo abusos psicológicos e emocionais dos tios responsáveis pelo assassinato de seus pais, opta por tirar a própria vida. Contudo, Nasse, um anjo, não só evita seu suicídio, como também lhe concede três presentes divinos: asas, uma flecha vermelha (que faz qualquer pessoa se apaixonar por ele) e uma flecha branca (que mata de forma instantânea).
Este primeiro volume define claramente os temas principais do trabalho: depressão, justiça, liberdade de escolha, manipulação e a importância da vida. A apresentação do sistema de anjos e a confirmação de que Mirai é um dos 13 selecionados para concorrer ao título de "novo Deus" dão início a uma competição que evoca diretamente o estilo de Death Note, porém com uma conotação religiosa e moral mais explícita.
Nasse surge como uma personalidade ambígua. Embora tenha uma aparência angelical e pareça ter a missão de "salvar" Mirai, ela exibe uma frieza aterradora, estimulando a utilização dos poderes de maneira letal e estratégica. Este volume já apresenta o paradoxo entre o discurso de amor e a prática da violência, mantendo o leitor constantemente vigilante sobre o que realmente é "divino".
Mirai simboliza o idealismo moral: ele aspira à felicidade sem causar danos a ninguém. Porém, rapidamente percebe que suas novas habilidades são demasiado perigosas para alguém com consciência. Isso se torna claro quando ele emprega a flecha vermelha para convencer sua tia a confessar o assassinato de seus pais e, sob a influência do amor falso, ela tira a própria vida. O instante é vital — e inquietante — pois simboliza a perda da inocência de Mirai e o embate direto entre a intenção e a resposta.
O ponto alto do volume é a aparição de Metropoliman, outro postulante a Deus, que se apresenta como um herói mascarado ao vivo na televisão. Ele elimina um concorrente em frente ao público com uma flecha branca, mostrando que está pronto para eliminar qualquer rival. Esta reviravolta converte a batalha divina num duelo de vida ou morte, onde nem todos se identificam com os dilemas morais de Mirai.
Esta sequência não só acelera a narrativa, mas também estabelece o tom do trabalho: violento, tático e com camadas psicológicas que desafiam as concepções convencionais de "bem contra mal".
Como sempre, o traço de Takeshi Obata é tecnicamente perfeito. Os anjos são representados com uma combinação de inocência e estranheza, e as cenas de ação e expressão emocional de Mirai são intensas e dignas de um filme. Por outro lado, Oba apresenta um roteiro profundo, repleto de exposição e filosofia, mas que mantém o suspense através de reviravoltas dramáticas e diálogos repletos de tensão.
O primeiro volume de Platinum End é uma apresentação audaciosa e marcante. Ele aborda assuntos delicados como suicídio e trauma sem amenizar as arestas, o que pode representar tanto um acerto quanto um perigo. O trabalho não tem receio de se aprofundar no desespero humano, mas propõe a possibilidade de redenção através da escolha - mesmo que essa opção inclua armas letais e dilemas morais quase insolúveis.
Se por um lado o início empolga pela ousadia estética e temática, por outro levanta dúvidas: o mangá terá fôlego para lidar com questões tão pesadas de forma responsável e coerente?
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