O segundo volume de Sword Art Online: Progressive dá prosseguimento à detalhada ambientação do primeiro volume, ampliando a exploração do segundo andar de Aincrad e concentrando-se na evolução da relação entre Kirito e Asuna. Além disso, aprofunda a análise do sensível equilíbrio de poder entre jogadores individuais, grupos e "beta testers".
Um dos maiores destaques desta obra é a profundidade com que descreve o funcionamento social e econômico do segundo andar de Aincrad. O mangá, em vez de acelerar a história em busca dos chefes de andar, como no arco original, apresenta disputas por locais de caça, exploração de labirintos e tensão entre jogadores veteranos e novatos. Isso reforça a concepção de um autêntico MMORPG de sobrevivência.
O segundo volume é crucial para compreender o desenvolvimento lento e meticuloso da colaboração entre Kirito e Asuna. Ao contrário do anime, no qual Asuna se transforma rapidamente numa lutadora hábil, aqui podemos observar seu esforço genuíno para aprender, seus receios e incertezas. Os diálogos com Kirito, que atua como um orientador hesitante, proporcionam instantes de delicadeza e humanidade que os tornam mais simpáticos do que suas versões no anime.
A batalha contra o chefe do andar é uma das partes mais emocionantes do volume. A equipe de raid elabora uma estratégia eficaz; a tensão pela possível traição de outros participantes e o temor incessante da morte definitiva são muito bem expressos. O mangá oferece mais espaço para detalhar as habilidades do chefe, exigindo a colaboração efetiva dos jogadores — um aspecto que o anime abordou de maneira superficial. Asuna se sobressai aqui, evidenciando sua evolução de simples aprendiz para espadachim promissora.
Este volume intensifica o conflito social entre os "testadores beta" e os novos jogadores. Kirito começa a ser percebido como "beater" (testador beta + trapaceiro), o que afeta sua posição social e impulsiona seu isolamento — um dos aspectos psicológicos mais intrigantes de sua trajetória. Essa dimensão política e social é incomum em narrativas isekais genéricas e valoriza a história.
Embora a intenção seja detalhar, algumas cenas se estendem demais — diálogos de planejamento e passeios pelos labirintos ocupam páginas que poderiam ter sido melhor aproveitadas com ação ou exploração mais aprofundada dos personagens secundários.
Apesar de apresentar novos integrantes da equipe de raid, o volume não consegue atribuir a eles a devida importância. Alguns NPCs e jogadores parecem servir apenas para destacar Kirito e Asuna, diminuindo um pouco o potencial dramático coletivo do universo de SAO.
A continuação de Sword Art Online: Progressive mantém a bem-sucedida ideia de recontar a história de Aincrad de maneira mais profunda e humana. Kirito e Asuna adquirem importantes camadas emocionais, a tensão de vida ou morte é bem estruturada e a atmosfera do MMORPG é consistente com o gênero. Contudo, o ritmo pode entediar leitores que aguardam uma ação contínua e os personagens secundários ainda não possuem personalidade independente.
Um volume que aprofunda a proposta original e mostra o potencial real que o arco de Aincrad sempre teve — algo que o anime, infelizmente, resumiu demais.
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