. Resenha Crítica — Oshi no Ko, Volume 1
. Por Arthur Vieira
. Gênero: Drama, Mistério, Sobrenatural, Seinen
. Publicação original: 2020 (Shueisha)
. Volume: 1 de 16
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Uma história sobre brilho e escuridão
O primeiro volume de Oshi no Ko é impressionante não só por seu enredo audacioso, mas também por como ele desconstrói a imagem idealizada do universo das idols. Ao mesclar reencarnação, assassinato e crítica social, o mangá apresenta um ponto de partida surpreendente e cativante que desafia as expectativas do leitor já no primeiro capítulo.
A história gira em torno de Ai Hoshino, uma idol de 16 anos, adorada por milhares de fãs devido à sua aparência inocente e sorriso cativante. Porém, o leitor logo nota que, por trás da imagem pública, há uma adolescente repleta de contradições — alguém que aprendeu a mentir como parte de sua profissão. Ai não é somente uma personagem cativante; ela é o primeiro reflexo da crítica à indústria do entretenimento que o mangá busca expor.
Ao seu redor, o médico Gorou, um fã devoto, acaba se envolvendo em um segredo chocante: Ai está esperando gêmeos e deseja manter isso em total sigilo. Quando Gorou é morto por um perseguidor e reencarna como um dos filhos da idol, Aqua, a história muda de direção, incorporando aspectos de mistério e vingança, porém sem deixar de lado o subtexto mordaz sobre o showbiz japonês.
Roteiro engenhoso e quebra de expectativa
Aka Akasaka demonstra maestria narrativa ao manipular o sentimentalismo, apenas para, posteriormente, desmantelá-lo de forma brutal. O desfecho trágico da morte de Ai ao final do primeiro volume não apenas conclui um arco de forma magistral, mas também estabelece a linha dramática que guiará toda a série: a busca de Aqua por seu pai desconhecido e sua vingança.
Essa mudança faz com que o mangá se torne muito mais intrincado do que apenas uma história de bastidores. Neste caso, a reencarnação, que poderia ser apenas um recurso cômico ou romântico, é empregada para gerar uma intensa tensão psicológica. Aqua criança, possuindo a mente de um adulto, transforma-se no arquétipo do protagonista ferido e silenciosamente amargurado — um contraste perturbador com o mundo vibrante das celebridades.
Arte precisa e expressiva
Mengo Yokoyari apresenta uma arte limpa, sofisticada e altamente expressiva. Os olhos cintilantes de Ai são um elemento visual recorrente, servindo como metáfora do que ela simboliza: uma estrela cujo brilho é, na realidade, uma criação intencional. A arte consegue transitar com habilidade entre o fofinho e o sombrio, espelhando os diferentes tons do roteiro.
Um começo de peso
Oshi no Ko, volume 1, é ambicioso em suas intenções e eficaz em sua execução. Com uma mistura inteligente de gêneros, a obra aborda temas complexos como a exploração da imagem feminina, fanatismo, identidade e manipulação da mídia. Tudo isso mantendo o ritmo e o impacto emocional.
Não é apenas um mangá sobre idols, mas uma crítica incisiva e, simultaneamente, uma narrativa profundamente humana que aborda mentira, amor e obsessão. O desfecho do volume é um golpe emocional que altera o tom da história e força o leitor a prosseguir.
Oshi no Ko começa de forma brilhante, ousada e desconcertante. Seu primeiro volume é um convite à reflexão sobre os bastidores do glamour — e uma promessa de um drama denso e imprevisível.
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