Frieren (Volume 5)

- Ficha Técnica

. Título: Frieren: Beyond Journey’s End — Volume 5
. Título original: Sōsō no Frieren (葬送のフリーレン)
. Roteiro: Kanehito Yamada
. Arte: Tsukasa Abe
Gênero: Fantasia, aventura, drama, slice of life

- Resenha

A série aprofunda sua mudança temática ao converter a jornada de Frieren, Fern e Stark em um rito de passagem que combina proximidade, misticismo e uma crescente tensão narrativa.  Nesse estágio da obra, o mangá já estabeleceu seu ritmo reflexivo, porém o quinto volume evidencia de forma clara como o roteiro e a arte trabalham em harmonia para desvendar as camadas silenciosas dos personagens e intensificar a atmosfera emocional que caracteriza Frieren: Beyond Journey’s End.

A narrativa adota o conceito de memória filtrada pelo presente: as experiências que Frieren compartilha com seus novos companheiros evocam constantemente recordações de Himmel, Eisen e Heiter. No entanto, em vez de interromper o fluxo da história, essas reminiscências atuam como conexões emocionais, elucidando não apenas o mundo, mas, principalmente, a maneira como a protagonista percebe tudo ao seu redor.

Nesses momentos, a combinação de texto e imagem é essencial.  Por exemplo, os flashbacks apresentam uma composição mais espaçada, com quadros amplos e poucas falas, gerando uma impressão de tempo desacelerado — uma decisão visual que reflete a temporalidade ampliada da própria Frieren.  O roteiro utiliza a elipse para insinuar, em vez de revelar, como algumas lições do passado guiam suas ações no presente.

A forma como o mangá conecta o cotidiano ao épico é outro aspecto notável deste volume.  O roteiro intercalam pequenos gestos, como acampamentos, conversas discretas e treinos, com momentos de tensão mágica, mas a arte consegue fazer essa transição parecer natural.  Tsukasa Abe emprega composições simples para o dia a dia, utilizando planos médios e close-ups que destacam expressões discretas, ao passo que acentua detalhes e contrastes em cenas de confrontos ou magia.  Como resultado, temos uma narrativa em que a intimidade e a aventura coexistem: ambas estão entrelaçadas.

As cenas que envolvem o exame mágico, que representam um aspecto significativo deste volume, exemplificam a eficácia dessa integração.  O roteiro cria um ambiente de competição e desconfiança, mas é a arte que realmente o faz vibrar.  A disposição dos personagens no quadro — frequentemente em posições diagonais opostas, com espaços vazios gerando tensão — intensifica o ambiente de dúvida e indica relações e personalidades antes que o diálogo o faça.  A paleta de luz e sombra (até mesmo em preto e branco) ganha mais profundidade, com fundos texturizados e linhas dinâmicas que ressaltam a natureza oculta e imprevisível da magia.

Por outro lado, Frieren recebe um tratamento visual que acentua seu afastamento emocional, porém também sua abertura progressiva.  A expressão, geralmente serena e por vezes enigmática, contrasta com microexpressões e sutis mudanças de postura que só ganham relevância porque o roteiro as antecipa meticulosamente: um comentário de Fern, um gesto de Stark, uma lembrança que permeia o momento atual.  A arte não enfatiza essas sutilezas, mas as apresenta de forma discreta, permitindo que o espectador compreenda que o crescimento emocional de Frieren é um processo gradual, porém perceptível.

O espaço como elemento narrativo é enfatizado no volume 5.  Ambientes abertos, como florestas e ruínas, são representados com linhas sutis e contrastes mínimos, transmitindo uma sensação de tranquilidade e amplitude. Em contrapartida, espaços fechados, especialmente durante provas e encontros entre magos, apresentam composições mais pesadas, quase opressivas.  O roteiro emprega esses locais como extensões emocionais: cada cenário se relaciona com o estado interno dos personagens ou com a atmosfera da cena.

Ao término, o quinto volume evidencia como Frieren é uma obra elaborada na combinação entre sutileza e rigor formal.  O roteiro leva a narrativa por trajetórias reflexivas, em que passado e presente se entrelaçam, ao passo que a arte concretiza esse entrelaçamento por meio do ritmo, da composição e da atmosfera.  Não há exageros nem grandiloquência: tudo é planejado para que emoção e significado surjam do silêncio, da pausa e do detalhe.

O resultado é um volume que representa o cerne do mangá: uma aventura épica cuja potência não está na magnitude da fantasia, mas na delicadeza com que texto e imagem se unem para investigar o tempo, a memória e a humanidade que Frieren ainda está aprendendo a entender.

Resenha dos outros volumes: Frieren

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