- Ficha Técnica
. Roteiro: Aka Akasaka
. Arte: Mengo Yokoyari
. Editora original (Japão): Shueisha
. Revista de publicação: Weekly Young Jump
. Ano de publicação (JP): 2021
. Demografia: Seinen
. Gêneros: Drama, Psicológico, Mistério, Crítica social, Showbiz
- Resenha
O volume 4 de Oshi no Ko solidifica o projeto estético e narrativo da série ao converter o crescimento psicológico dos personagens em um exercício de linguagem unificada entre texto e imagem. Enquanto o volume anterior abordava a brutalidade do julgamento público, este foca nas máscaras profissionais que os personagens adotam como mecanismo de defesa. Isso é realizado de maneira especialmente eficaz por meio da combinação do roteiro de Aka Akasaka com a arte de Mengo Yokoyari.
Narrativamente, o livro aprofunda a discussão sobre desempenho, autenticidade e manipulação da imagem. O roteiro é baseado na noção de que, na indústria do entretenimento, atuar não é somente uma profissão, mas também uma tática de sobrevivência. Akasaka aborda isso de maneira não didática: os conflitos emergem de ensaios, bastidores e interações aparentemente técnicas, que gradualmente expõem rivalidades de ego, traumas pessoais e perspectivas divergentes sobre o que significa “ser verdadeiro” perante o público. O texto é exato ao indicar que, nesse contexto, sinceridade e artifício não são contrários, mas instrumentos intercambiáveis.
Na arte de Yokoyari, há uma correspondência direta a essa ambiguidade temática. Visualmente, o volume apresenta uma nítida dualidade entre uma expressão contida e uma emoção suprimida. Em várias cenas, os personagens exibem posturas rígidas, olhares calculados e sorrisos meticulosamente elaborados, enquanto a verdadeira tensão se revela nos detalhes: olhos demasiadamente abertos, sombras que endurecem o rosto ou silêncios que intensificam o desconforto. A arte propõe continuamente que o que é dito nunca corresponde plenamente ao que é sentido.
A formação dos quadros apoia essa interpretação. Durante as cenas encenadas, frequentemente são utilizados enquadramentos fechados, enquanto planos mais abertos são usados quando a narrativa permite uma maior franqueza emocional. Esse jogo visual reflete o tema central do volume: quanto mais o personagem "atua", mais a arte o confina em molduras apertadas, quase opressivas. Quando há momentos de sinceridade, o espaço gráfico se expande, mesmo que por um breve período.
O tratamento do tempo narrativo é outro exemplo de integração. Akasaka desacelera momentos cruciais, possibilitando que Yokoyari desenvolva sequências quase reflexivas, com diálogos escassos e uma intensa carga expressiva. O silêncio dos quadros passa a ser um elemento ativo do roteiro, servindo tanto como uma pausa dramática quanto como um comentário visual a respeito da dificuldade de comunicação autêntica entre os personagens.
O resultado é um volume em que a dramaturgia não se limita apenas às falas ou aos eventos, mas também à maneira como o leitor percebe rostos, gestos e composições visuais. O conflito central — entre talento, técnica e emoção — se revela tanto nas ações dos personagens quanto na forma como são caracterizados.
Desse modo, o quarto volume de Oshi no Ko aprofunda o aspecto metalinguístico da obra: trata-se de um mangá sobre atuação que se desenvolve como uma performance deliberada, precisa e meticulosa. Texto e imagem atuam como aliados indissociáveis na criação de significado, enfatizando que, nesta série, entender a narrativa requer não só ler os diálogos, mas também interpretar o que a arte se recusa a mostrar e, ao mesmo tempo, expor.
Resenha dos outros volumes: Oshi no Ko
Comentários
Postar um comentário